Vale de Cambra com Gisela João e teatro de Yasmina Reza e Porchat
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Segundo revelou hoje à Lusa o diretor artístico da sala do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, inaugurada em 2025, a programação do último trimestre deste ano integra ainda, a 30 de outubro, uma performance pela companhia da coreógrafa espanhola Lali Ayguadé, que terá o japonês Akira Yoshida como convidado e orientará com esse bailarino um 'workshop' de nível avançado para profissionais.
"Não partimos para esta temporada com a expectativa de que o público seja sempre o mesmo, nem de que cada proposta tenha de chegar a todos", admite João Aidos. "Queremos, isso sim, continuar a alargar o universo de pessoas que se reconhecem no CAE e o que vemos nesta temporada, em diferentes propostas, é a possibilidade de olhar para repertórios, memórias e formas que fazem parte do nosso património e perguntar o que ainda podem dizer hoje ao público", justifica.
Para esse responsável do CAE, "há obras que resistem ao tempo porque continuam a ser transformadas" e permanecem vivas, não por serem repetidas, "mas porque cada geração encontra novas formas de as escutar, de as interpretar e de lhes dar significado".
Isso será percetível, por exemplo, no concerto de 19 de setembro com Gisela João, que irá revisitar "canções de autores como José Afonso, José Mário Branco e Fernando Lopes-Graça", entre outros grandes nomes da música e da cultura portuguesas.
Idêntica renovação se espera do concerto de 11 de dezembro com a Glenn Miller Orchestra, que recuperará temas escritos pelo músico e compositor norte-americano que dá nome ao coletivo e, sob a mesma sonoridade jazz, também dará a ouvir clássicos natalícios.
Ainda no que se refere a música, há dois outros concertos anunciados para a mesma sala: o dos Duques do Precariado, a 03 de outubro, com "folclore independente" que cruza guitarras elétricas, bombos e flautas de três furos; e o de Diogo Zambujo, a 05 de dezembro, com as canções do seu primeiro álbum, após várias colaborações com o pai, António Zambujo.
Quanto a teatro, ao palco do CAE sobe a 26 de setembro a peça "Agora é que são elas!", com texto e encenação do brasileiro Fábio Porchat e interpretação das suas conterrâneas Maria Clara Gueiros, Júlia Rabello e Priscila Castello Branco. João Aidos realça que, em conjunto, essas três atrizes "dão vida a mais de 20 personagens ao longo de nove histórias".
Segue-se, a 17 de outubro, "Arte", com encenação de António Pires, a partir do enredo da francesa Yasmina Reza que o diretor do CAE aponta como "um dos textos mais marcantes do teatro contemporâneo". Os protagonistas, por sua vez, são Cristóvão Campos, Nuno Lopes e Rui Melo.
Em jeito de comédia, "Arte" põe em confronto três amigos, modos de vida e conceções do mundo, a partir de um quadro totalmente branco, com riscas brancas, assinado por um aclamado artista contemporâneo.
A programação do CAE de Vale de Cambra até final de 2026 inclui ainda projetos específicos para o público escolar, como "O Feiticeiro de Oz", grande clássico da literatura infantil que o encenador Fernando Gomes e o diretor musical Artur Guimarães apresentam em formato de musical, e "Onde estavas quando leste o primeiro jornal", em que Cristóvão Cunha parte de um arquivo pessoal de 30 anos de periódicos para refletir – em cena e em conversa com o público – sobre jornalismo, memória, liberdade de informação e democracia.
A pensar nas famílias, haverá igualmente "Estórias de Tiroléu e da Nau Catrineta", uma criação da companhia Coração nas Mãos que cruza teatro, circo, música e dança; "Cruzeta", em que a equipa artística da associação cultural CEM Palcos explora com maiores de 65 anos memórias, histórias, afetos e saberes; e sessões de cinema com o filme português "Playback", sobre Carlos Paião, e com o de animação "Mínimos e Monstros".
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