Svetlana Alexievich vai participar nas residências literárias de Cascais
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A autora estará acompanhada pela sua assistente literária, Tatyana Loznitsa, acrescenta a Fundação Dom Luís I em comunicado, que organiza este programa em colaboração com a Câmara Municipal de Cascais, sob a coordenação da escritora e crítica literária Filipa Melo.
Realizadas exclusivamente por convite, as residências internacionais de escrita da Fundação Dom Luís I, oferecem a um autor-residente condições de alojamento e um espaço para criação na vila de Cascais, durante um a dois meses.
Inauguradas com Olivier Rolin, em 2018, estas residências internacionais acolheram até à data Michael Cunningham, Jonathan Coe, Javier Cercas, Nara Vidal, Sandro Veronesi, Noura Erakat, Leïla Slimani, András Petőcz, Anne Akrich, Velibor Čolić e Will Eaves, entre outros.
Para os organizadores, a presença de Svetlana Alexievich em Cascais adquire um significado especial num ano em que a vila é a Capital Europeia da Democracia 2026, na medida em que "a sua obra, construída a partir de centenas de testemunhos individuais, tornou audíveis vozes frequentemente apagadas pela propaganda, pela violência e pela história oficial".
"Ao transformar essas vozes numa literatura de memória e de consciência, Svetlana Alexievich interrogou a capacidade das sociedades para converter o sofrimento em liberdade e para resistir ao medo e à submissão", acrescenta a Fundação Dom Luís, em comunicado.
Em 2015, ao atribuir-lhe o Prémio Nobel da Literatura, a Academia Sueca distinguiu "as suas obras polifónicas, um monumento ao sofrimento e à coragem no nosso tempo".
Ao longo de décadas, a escritora documentou as experiências de pessoas comuns perante a Segunda Guerra Mundial, a guerra soviética no Afeganistão e a catástrofe de Chernobyl.
Entre as suas obras publicadas em português encontram-se "A guerra não tem rosto de mulher", "Rapazes de zinco", "Vozes de Chernobyl: história de um desastre nuclear" e "O fim do homem soviético".
Para Svetlana Alexievich, a defesa da liberdade não é apenas um tema literário, mas também cívico, já que após as eleições bielorrussas de 2020, amplamente consideradas fraudulentas, participou no Conselho de Coordenação criado para preparar novas eleições e uma transição pacífica de poder.
A repressão dos protestos e a perseguição aos membros do conselho obrigaram-na a deixar a Bielorrússia, e a escritora vive desde então em Berlim.
A Fundação Dom Luís I assinala ainda que este programa de residências é reconhecido internacionalmente e "distingue-se por hospedar autores consagrados de todos os géneros e de todo o mundo, proporcionando-lhes um ambiente de refúgio propício ao trabalho e uma relação privilegiada com Portugal e a cultura portuguesa".
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