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Romance de Valter Hugo Mãe "O Nosso Reino" ganha versão em mirandês

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                    Romance de Valter Hugo Mãe
Romance de Valter Hugo Mãe "O Nosso Reino" ganha versão em mirandês (Foto: Reprodução)

Em declarações à agência Lusa, o tradutor da obra, Alcides Meirinhos, membro da ACLM, disse que o trabalho teve início em 2018, estendendo-se até 2022, e terá o título "L Nuosso Reino".

 

Esta edição será apresentada a 18 de setembro no âmbito das comemorações do Dia da Língua Materna.

"Esta publicação pretende afirmar o mirandês como língua capaz de acolher e recriar literatura contemporânea, aproximando uma das vozes mais reconhecidas da literatura portuguesa de uma língua com raízes históricas particularmente ligadas ao território transmontano", vincou Alcides Meirinhos, à Lusa.

"O Nosso Reino" faz parte do Plano Nacional de Leitura para o ensino secundário e a edição da tradução mirandesa acontece quando se assinalam os 30 anos de carreira do escritor Valter Hugo Mãe.

Alcaides Meirinhos contou que a principal dificuldade na tradução desta obra foi a adaptação dos termos linguísticos do Planalto Mirandês aos termos do litoral que são utilizados por Valter Hugo Mãe.

"A grande dificuldade foi a adaptação da terminologia que caracteriza a região do litoral para a paisagem do interior. Ou seja, tudo que é ligado à orla litoral como praia, marés... Aqui o trabalho foi adaptar a paisagem da Terra de Miranda à do litoral, no que respeita à ligação ao mar", explicou.

"O Nosso Reino", originalmente publicado em 2004, é o romance de estreia de Valter Hugo Mãe. Centrado numa criança de 8 anos, que procura uma resposta de Deus, permite um possível retrato do Portugal distante e pobre no termo da ditadura do Estado Novo, ao mesmo tempo que demonstra a intemporalidade do processo de aprendizagem, em que "cada dia é um esforço para se provar o milagre de se ser alguém".

Para Alcides Meirinhos, "a língua mirandesa é capaz de descrever o mundo, como só ela sabe fazer e adaptar-se a qualquer conceito e qualquer realidade linguística".

Alcides Meirinhos lembrou ainda que há já outros textos de relevo que estão traduzidos para língua mirandesa, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, publicada no 'site' da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), bem como textos do Diário da República.

A Constituição da República Portuguesa, também numa tradução de Alcides Meirinhos, é outro dos documentos disponíveis em língua mirandesa e terá a sua apresentação pública em 17 de setembro.

Com tradução em mirandês existem também sete álbuns de Banda Desenhada de Astérix e um das aventuras de Tintin.

"Mensagem", de Fernando Pessoa, "Os Lusíadas", de Luís Vaz de Camões, e "Os Quatro Evangelhos", entre outros textos, têm igualmente versão na língua mirandesa.

O mirandês foi reconhecido oficialmente há 27 anos, através da lei 7/99, que fez desta língua a segunda oficial em Portugal. Aprovada em 17 de setembro de 1998, esta lei entrou em vigor a 29 de janeiro de 1999.

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