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MAAT prepara exposições de Christian Marclay e sobre IA para 2027

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                    MAAT prepara exposições de Christian Marclay e sobre IA para 2027
MAAT prepara exposições de Christian Marclay e sobre IA para 2027 (Foto: Reprodução)

Em entrevista à Lusa, a propósito do décimo aniversário do museu, que se assinala na segunda-feira, o responsável falou sobre uma temporada que pretende cruzar artistas com percursos consolidados, novos talentos e projetos internacionais, abordando temas contemporâneos através de diferentes linguagens artísticas.

 

A exposição de Christian Marclay partirá da relação entre a cidade, as questões urbanas e a música, indicou João Pinharanda, sobre o artista suíço-americano que viveu em Londres e trabalhou entre o Reino Unido e os Estados Unidos, desenvolvendo uma obra que cruza som e imagem.

"Marclay pensa a cidade e todas as questões urbanas a partir da música e dos ruídos", explicou o diretor.

Outra das propostas anunciadas é uma exposição coletiva dedicada à inteligência artificial, com curadoria do italiano Antonio Somaini, historiador de arte e curador, especialista em teoria do cinema e novos media, professor na Universidade Sorbonne, em Paris.

Com o título provisório "Energias da IA", a mostra reunirá artistas contemporâneos, incluindo portugueses, e deverá apresentar obras recentes, muitas das quais pela primeira vez, referiu o diretor do MAAT desde 2022.

A exposição abordará as energias que alimentam as tecnologias de inteligência artificial, como a eletricidade, a água, os minerais críticos, a computação, o trabalho humano e o capital, mas também as capacidades e os efeitos que estas tecnologias desencadeiam nas sociedades e nos ambientes.

O objetivo da proposta, segundo Pinharanda, não é explicar didaticamente o funcionamento dos sistemas de inteligência artificial.

"Não é a inteligência artificial pensada como uma coisa didática ou andar a ver como é que são feitas as maquinetas. São mesmo artistas que trabalham com essa tecnologia e que pensam esse tema criticamente", afirmou Pinharanda.

A temporada incluirá também a exposição do Prémio Fundação EDP Novos Artistas, que integra a aposta do MAAT na apresentação de novas gerações da criação artística portuguesa, e cujos finalistas deverão ser conhecidos em breve, disse.

Pinharanda referiu igualmente a intenção de apresentar artistas internacionais provenientes do Brasil e da Europa Central, nomeadamente da Polónia e da República Checa, regiões que considera menos representadas na programação do museu.

"Temos apresentado muitos ingleses, suíços, franceses e não tem havido ainda nada ligado a essa região", observou, acrescentando que a programação deverá também incluir, entre 2027 e o ano seguinte, mais projetos significativos de artistas afrodescendentes.

Por outro lado, a presença de artistas da América do Sul continuará a ser uma das linhas de programação, apontou, recordando exposições anteriores dos criadores brasileiros Ernesto Neto e Jonathas de Andrade, assim como a apresentação de coleções brasileiras ligadas à arte contemporânea.

Questionado sobre a possibilidade de privilegiar artistas lusófonos nas próximas temporadas, Pinharanda defendeu que a escolha de criadores deve partir "sobretudo da qualidade e do interesse das obras, e não da sua capacidade para ilustrar determinada identidade ou tema".

"Eu não gosto de ser didático nem militante. A escolha dos artistas e das exposições será sempre feita pelo valor que a obra tem em si", sustentou o historiador de arte, curador, crítico de arte e adido cultural da em baixada portuguesa em Paris entre 2016 e 2021.

A programação internacional insere-se numa estratégia que o diretor considera importante para o posicionamento do MAAT: apresentar em Portugal artistas de outros países, mas também conceber exposições capazes de circular no estrangeiro.

Instalado na frente ribeirinha de Belém, o complexo museológico do MAAT integra o edifício contemporâneo desenhado pelo estúdio AL_A, de Amanda Levete, a antiga Central Tejo e um jardim que liga os dois espaços.

A programação do museu cruza arte, arquitetura e tecnologia, tendo como referências a história energética da Central Tejo, a localização junto ao estuário do Tejo e temas como a ecologia, a transição energética, as tecnologias e as transformações sociais.

As comemorações do décimo aniversário do MAAT decorrem entre hoje e segunda-feira, com visitas guiadas, oficinas, uma performance de ópera e um mercado solidário, entre outras iniciativas.

Coincide com a apresentação de três novas exposições: "Venus– Valentino Garavani pelo olhar de Joana Vasconcelos", "New Age", de João Pimenta Gomes, e "Expor, publicar: o MAAT impresso (2016–2026)", dedicada à produção editorial do museu.

Após uma década, MAAT recebeu mais de 3 milhões de visitante

Mais de três milhões de visitantes e de mil artistas marcaram a primeira década do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Lisboa, percurso que o diretor, João Pinharanda, quer ver cada vez mais reconhecido pelo conteúdo.

Lusa | 09:13 - 03/10/2026

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