Jorge Palma: Rodrigo Leão, Aldina Duarte e Tó Trips lembram "homem livre"
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O compositor de "Vida tão estranha" tomou como ponto de partida a canção de Jorge Palma "A gente vai continuar", numa mensagem publicada nas suas redes sociais, à semelhança de outros músicos que se cruzaram com o compositor de "Estrela do mar", como Aldina Duarte e Tó Trips, todos a sublinharem o sentido de liberdade e rebeldia do poeta da "Terra dos sonhos".
Tó Trips agradece a Jorge Palma o que o seu percurso representa para "muitas gerações, na música, na liberdade, na atitude, sempre com um sorriso franco e verdadeiro perante a vida", e culmina a sua mensagem num "até sempre!"
Aldina Duarte afirma que deve a Jorge Palma "a rebeldia de mãos dadas com o amor e a liberdade de ser e estar", referência estabelecida "muito antes" de conhecer o músico na vida e nos palcos.
Jorge Palma "foi o primeiro dos primeiros a chamar-me 'fadista-punk' e a escrever um texto no meu disco 'Apenas o Amor'", recorda Aldina Duarte. "Onde ele estava era sempre assim: apenas o amor".
"Não fomos amigos íntimos, mas bastava um encontro com o Jorge Palma para inaugurar a palavra amigo e a partir daí estava aberto o caminho para a eternidade", prossegue. E conclui: "A raridade de tudo isto é que a sua arte é ainda maior que nós todos juntos, incluindo o criador. Obrigada, Jorge".
A Voz do Operário, que na quinta-feira acolherá na sua sede, em Lisboa, a despedida do músico, afirma que "hoje é um dia triste para os que acreditam na 'Terra dos Sonhos'".
"Jorge era (é) um dos nossos", lê-se no comunicado da associação. "Depois do seu exílio, durante a ditadura fascista, Palma participou em inúmeros Cantos Livres, sobretudo n'A Voz do Operário, ao lado de camaradas seus como Zeca Afonso, José Mário Branco, Sérgio Godinho, Fausto e tantos outros".
"Que orgulho termos sido, tantas vezes, a casa de quem, como Jorge Palma, nunca deixou de acreditar num mundo em que 'toda a gente trata a gente toda por igual' e que esteve sempre ao lado dos que lutam contra as injustiças", prossegue A Voz do Operário. "O seu vasto repertório ajudou a alicerçar a vida de muitas gerações e deu forma, crítica e afeto ao nosso país. A perda é tão grande como a tristeza, mas vamos continuar a cantá-lo entre amigos e a lembrá-lo n'A Voz do Operário".
O São Luiz Teatro Municipal recorda "o talento de um nome maior da música e da poesia que nos acompanha há várias gerações" e, "com carinho", as várias vezes em que passou pelo seu palco, "entre as quais o marcante Concerto Solidário pela Ucrânia, em 2022.
A reação do teatro municipal completa-se com versos da "Terra dos Sonhos" de Palma: "Se queres ver o mundo inteiro à tua altura/ Tens de olhar para fora sem esqueceres/ Que dentro é que é o teu lugar".
A Fundação José Saramago, por seu lado, agradece a Jorge Palma pela música, "pelas palavras, pela vida". E lembra como o músico esteve com a instituição ao longo dos seus quase 20 anos, "sempre disponível, sempre presente", recordando alguns desses momentos "neste dia triste", como o concerto nos 10 anos da fundação, a sua entrevista à revista Blimunda e o mais recente concerto Juntos Por Gaza, em que interpretou "A gente vai continuar".
A Sociedade Portuguesa de Autores lamenta a morte do músico, lembrando o seu percurso, os prémios, os álbuns, assim como "a sua cordialidade e a intensa e imparável criatividade".
A atriz Maria Rueff vai até 2002 para lembrar a contribuição de Jorge Palma para "O disco do benfiquista", da sua personagem de comédia Zé Manel Taxista, que reuniu vários músicos: "Palma foi o primeiro a aceitar o convite. A honra que nos deu, jamais esqueceremos, como não esqueceremos também o seu sentido de humor terno, empático e puro. Por todo o legado e também por isto, obrigada Jorge Palma".
A jornalista Raquel Marinho, criadora do projeto de divulgação "O poema ensina a cair", para o qual entrevistou o músico, escreve no Facebook: "O que Jorge Palma nos deu é enorme. Como muitos dos que são gigantes, não precisava de se aumentar para mostrar de que era feito".
Jorge Palma, um dos cantores e compositores mais marcantes da música portuguesa, nasceu em Lisboa, em 04 de junho de 1950. Morreu na segunda-feira à noite, aos 76 anos.
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