Filme israelita contradiz "NAZA" e é premiado pelo gabinete de Netanyahu
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A Direção de Diplomacia Pública do gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, premiou hoje os autores de "NZA: A Verdadeira História", um contradocumentário em que soldados israelitas relatam confrontos com milícias palestinianas em Gaza.
O filme pretende ser uma resposta a "NAZA", premiado no Festival de Cinema de Veneza e que reúne testemunhos de militares sobre o assassínio de civis palestinianos na Faixa de Gaza.
"A diretora da Direção Nacional de Diplomacia Pública, Tzipi Hotovely, entregou um certificado de reconhecimento aos criadores do filme 'NZA: A Verdadeira História' — Ariel Orbach, Roi Danino e Hagai Gutman — pelo seu contributo para os esforços de diplomacia pública de Israel", indicou o gabinete de Netanyahu num comunicado.
O documento refere que o filme, de cerca de 50 minutos, refuta as "calúnias infames" dirigidas aos soldados do Exército de Israel, sem mencionar diretamente a obra este ano distinguida com o Prémio Especial do Júri do Festival de Cinema de Veneza.
"O filme ['NZA: A Verdadeira História'] apresenta a verdade de Israel e a moralidade dos soldados das FDI (Forças de Defesa de Israel) perante as calúnias infames e as mentiras difundidas contra nós em todo o mundo", declarou Hotovely, citada no comunicado.
O filme, acrescentou, expõe a utilização da população civil pelo movimento islamita palestiniano Hamas no enclave.
Desde o início da guerra israelita na Faixa de Gaza, que matou em três anos mais de 74.200 pessoas (cerca de 22.000 delas menores de idade), Israel acusa o Hamas de utilizar a população civil palestiniana como "escudos humanos".
O contradocumentário, livremente disponibilizado num 'site' da Internet, foi lançado em resposta ao filme dos jornalistas israelitas Yuval Avraham e Rachel Szor.
O termo "NAZA", que constitui o título do documentário premiado em Veneza, é a forma como os comandos e serviços secretos israelitas se referem às "vítimas colaterais" dos bombardeamentos que devastaram Gaza após o ataque de 07 de outubro de 2023 a Israel — perpetrados pelo Hamas e outras milícias islamitas palestinianas —, nos quais 1.200 pessoas foram mortas e 251 foram sequestradas e levadas para o enclave palestiniano.
Embora o público israelita não tenha assistido a "NAZA", e não haja previsão de exibição do documentário em Israel, a obra gerou no país enorme controvérsia, devido às críticas às operações das Forças Armadas israelitas, que valeram aos seus realizadores numerosas ameaças.