Mais previsões: Meteorologia 25 dias

Descobertos vestígios que podem ser da muralha da antiga Lutécia gaulesa

...


                    Descobertos vestígios que podem ser da muralha da antiga Lutécia gaulesa
Descobertos vestígios que podem ser da muralha da antiga Lutécia gaulesa (Foto: Reprodução)

 

 

O muro foi desenterrado durante uma escavação arqueológica e pode pertencer à estrutura defensiva mencionada por Júlio César, mas da qual, até agora, não existia qualquer evidência material.

"Podemos estar perante um dos vestígios mais importantes já descobertos para compreender a Lutécia gaulesa. A cautela científica exige que a sua função e cronologia ainda se verifiquem, mas a convergência das provas é particularmente notável", declarou na quarta-feira a ministra da Cultura, Catherine Pégard.

Desde fevereiro que uma equipa de arqueólogos liderada por David Couturier, do Departamento de História da Arquitetura e Arqueologia de Paris, com o apoio do Instituto Nacional de Investigação Arqueológica Preventiva (INRAP), tem vindo a explorar o subsolo sob os pátios do hospital, no âmbito da reestruturação do complexo hospitalar.

O governo indicou, em comunicado, que as expectativas iniciais centravam-se na descoberta de vestígios de antigas habitações, caminhos ou ocupações medievais e modernas.

Além destes vestígios, foi desenterrado um muro de pedra e madeira, típico das fortificações gaulesas.

A estrutura descoberta tem 20 metros de comprimento e apresenta vestígios de um incêndio violento.

"Revestimento carbonizado, sementes queimadas e os restos de uma construção de madeira destruída pelo fogo mesmo à frente da estrutura", detalhou o governo francês.

A Lutécia gaulesa era anteriormente conhecida apenas através dos relatos de Júlio César. No ano 53 a.C., César viajou até lá para convocar uma assembleia de gauleses. No ano 52 a.C., durante a batalha de Lutécia, o lugar-tenente de César, Labieno, enfrentou os parisii, que incendiaram o seu próprio oppidum, um centro que controlava as rotas de comunicação, um local de poder e comércio, para evitar que caísse em mãos romanas.

No entanto, nenhuma evidência arqueológica conclusiva tinha confirmado a localização deste oppidum na Île de la Cité.

Até agora, os indícios a favor desta hipótese baseavam-se na continuidade do topónimo Lutécia e na descrição de César, uma ilha ligada por pontes, situada num meandro do rio Sena.

O governo destacou a importância desta descoberta, pois constituiria a primeira evidência arqueológica do oppidum dos parisii e testemunharia um importante acontecimento histórico, a Batalha de Lutécia, que opôs a tribo gaulesa às legiões romanas, validando cientificamente esta hipótese histórica graças aos vestígios de fogo encontrados na muralha.

Em segundo lugar, a presença desta muralha defensiva na Île de la Cité confirmaria que a Lutécia gaulesa se situava, de facto, no mesmo local da Lutécia galo-romana e, consequentemente, que Paris foi construída sobre o oppidum dos parisii, descartando assim outras hipóteses.

Leia Também: Descobertas duas pilastras pintadas por Columbano Bordalo Pinheiro

Fale Conosco