Brasileira Bia Ferreira traz a Lisboa espetáculo inédito com banda completa
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"Portugal nunca viu um 'show' meu dessa forma. Eu sempre me apresentei a solo em Portugal, no máximo com o meu trio. Eu nunca me apresentei com a banda completa", disse Bia Ferreira à Lusa, sublinhando que o concerto de Lisboa será também a primeira apresentação fora do Brasil deste formato.
A artista sobe ao palco acompanhada por oito músicos, numa formação que inclui bateria, piano, baixo, percussão, trompete, trombone e saxofone, prometendo "muita música, muito groove" e um espetáculo que, nas suas palavras, pretende ser um agradecimento ao público português.
"É um presente que eu queria dar para a 'galera' de Portugal que me recebe com carinho, para serem os primeiros a verem o projeto novo que a gente está planeando apresentar em 2027 pelo mundo", afirmou.
Bia Ferreira considera o público português como um "termómetro" do seu trabalho, pela relação que estabeleceu ao longo dos anos com o país e pela forma como as suas canções são recebidas.
"O meu termómetro é o público português porque é um público que entende o que eu estou dizendo. Porque é um público que está conetado comigo nesse lugar da palavra", afirmou.
O concerto parte de "Améfrica", mas não ficará limitado ao repertório do álbum, recuperando canções de outros momentos da carreira.
"As pessoas podem saber que elas não vão ouvir apenas o disco 'Améfrica'. (...) A gente colocou algumas músicas no 'show' que são de outros trabalhos meus, de outros anos, contando essa trajetória também", disse.
A noite contará ainda com a participação da cantora Kady, com quem Bia Ferreira gravou uma colaboração que será apresentada pela primeira vez ao vivo em Lisboa. A presença da artista cabo-verdiana é, para a brasileira, "um dos encontros mais especiais" do novo espetáculo.
A passagem pelo São Luiz acontece num momento de reconhecimento internacional para Bia Ferreira, cujo álbum "Améfrica" foi nomeado para os Grammy Latinos na categoria de Música Popular Brasileira/Música Afro Portuguesa Brasileira. A cerimónia está marcada para 12 de novembro, em Las Vegas.
O álbum foi produzido de forma independente, sem editora, selo ou empresário, segundo a artista.
"Esse é um álbum totalmente independente, não tem gravadora, não tem selo, não tem empresário, não tem nada, é um disco que saiu do investimento do meu trabalho, fruto do meu trabalho e das minhas conexões com os meus amigos", contou.
A nomeação foi recebida com surpresa e alegria, muito grito, choro e festa.
"A gente colhe depois de muito tempo plantando, então quando chega essa hora de colher alguma coisa do que a gente plantou, é bonito ver florescer. E vou estar lá, vou estar em Las Vegas pela primeira vez", assegurou.
"Um espaço como os Grammys, reconhecendo o meu trabalho como um dos cinco melhores álbuns de música popular brasileira do ano de 2026, é também resultado de muito trabalho", afirmou.
Bia Ferreira, de 33 anos, diz não encarar este reconhecimento como um ponto de chegada. "Eu acredito que o caminho é muito mais importante do que a chegada. Então, eu nunca acho que eu cheguei".
E lembra que há oito anos, quando atuou pela primeira vez em Portugal, " era impensável" imaginar que estaria entre músicos que admira como Lenine, Criolo, Amaro Freitas e Dino d`Santiago, Pedro Emílio e Zé Ibarra (nomeados na mesma categoria).
"Enquanto uma artista independente, que não tinha projeção nenhuma de alcançar esse lugar, eu já me sinto muito vencedora de fazer parte dessa seleção de cinco artistas", disse.
Para a cantora e compositora, este é um passo que ajuda a alimentar o sonho de deixar um legado, através da sua arte.
"Eu não tenho a pretensão de ser rica ou de ser famosa, eu tenho a pretensão de construir um legado que seja inesquecível", explicou.
"Eu gostaria que as pessoas se lembrassem de mim, daqui a 100 anos, que tivesse alguém falando nossa, mas lá em 2026 tinha uma menina, a Bia Ferreira, fazendo arte. E eu não vou estar nem viva para ver", disse.
Mesmo que não vença, a cantora diz-se " feliz" por poder fazer parte da festa, e promete trazer para Lisboa a arte da celebração.
"A gente vai naturalizando as coisas boas e esquece-se de celebrar. O meu maior desafio tem sido celebrar as pequenas vitórias que a gente alcança e as grandes vitórias também. E é isso que eu quero partilhar com o meu público de Portugal", afirmou.
Usar a arte para " se alimentar" e mostrar que a " gente ainda está de pé", conclui a cantora, perante "o caos" em que está o mundo.
O concerto no Teatro São Luiz, em Lisboa, está marcado para 03 de setembro. Bia Ferreira tem um segundo concerto em Portugal, em 31 de outubro, no Centro Cultural de Paredes.
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