Bia Ferreira espera "bom senso" e "consciência" dos eleitores no Brasil
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Em entrevista à Lusa, a propósito do concerto que apresenta em 03 de outubro no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa, Bia Ferreira disse que acompanhará a votação à distância, por se encontrar em Portugal.
"Fico triste de não estar no Brasil num momento importante", afirmou a cantora, acrescentando que espera acompanhar as eleições com os seus "amigos brasileiros e com o coração esperançoso de que o amor consiga vencer o ódio".
A primeira volta das eleições gerais brasileiras realiza-se em 04 de outubro, horas depois de a artista subir ao palco em Lisboa, mas Bia Ferreira sublinhou que o concerto não foi pensado em função do calendário eleitoral.
"Eu acho que o que eu falar no meu palco no dia 03 não vai mudar a consciência das pessoas para votar no dia 04. Então o trabalho que eu vou apresentar no dia 03 nada tem a ver com as eleições", afirmou.
Sobre o ambiente político brasileiro, a artista disse considerar que o conservadorismo continua presente, mas que aumentou a disposição de pessoas com posições progressistas para se manifestarem.
"O conservadorismo continua sendo conservador como sempre foi desde a colonização. E não assusta, porque a gente já está muito habituado com essa realidade e com esse tipo de pensamento e esse tipo de pessoas", realçou a cantora e compositora, para quem a mudança está do lado dos progressistas.
"O que passou a existir é a possibilidade das pessoas que pensam o oposto do conservadorismo se sentirem mais na responsabilidade de se manifestar", afirmou.
Sem querer comentar as sondagens que apontam para um empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, numa eventual segunda volta, Bia Ferreira, que é apoiante do atual Presidente, lembrou que existem mais candidatos (treze) e defendeu a possibilidade de divergência política.
"Eu acho que você ser de direita não te transforma num extremista de extrema-direita. Às vezes você ser uma pessoa de direita te apresenta formas de ver o mundo, mas que seja possível de discutir. A divergência é necessária para que a gente cresça", afirmou.
"Eu espero mesmo que o ódio não vença, essa é a minha esperança para essas eleições, mesmo que vá para um segundo turno", salientou.
Apelou por isso ao "bom senso" e à "consciência" dos brasileiros.
"Espero o melhor para o meu país e espero que o Brasil consiga entender que o progresso vem a partir da união de todos e a partir do respeito ao próximo, e que quem não respeita o outro não merece representar uma maioria de pessoas", disse.
Ao mesmo tempo, criticou aquilo que considera ser o extremismo político: " O extremismo mata as pessoas. O que eu espero é bom senso do povo brasileiro diante das eleições. Vivo com essa esperança, essa utopia".
A artista relacionou ainda o processo eleitoral às desigualdades sociais que, na sua perspetiva, permanecem, independentemente das mudanças políticas.
"Entre a direita e a esquerda eu continuo sendo a carne mais barata do mercado. Que é a carne negra, que é quem sofre violência, que é a maioria da população pobre no Brasil, que é a maioria da população que tem menos acesso à educação", afirmou.
E acrescentou: "Eu vou continuar lutando pelas mesmas coisas, independente de quem vença as eleições".
A artista, que nasceu no interior de Minas Gerais, disse que essa experiência continua a marcar a sua intervenção artística e social: "Eu continuo vindo de uma situação de uma região periférica, pobre, do interior de Minas Gerais, da zona rural, que independente do resultado das eleições é um lugar que não é olhado".
Para Bia Ferreira, a arte é também uma forma de resistência e de mobilização. Porque "pessoas tristes" ou "com fome" não fazem revoluções. No concerto de Lisboa, quer precisamente transformar a celebração num momento coletivo.
"Eu quero convidar as pessoas para essa injeção de ânimo, para esse gás que está faltando para a gente continuar resistindo, apesar de tudo, sorrindo como forma de subversão ao ódio", afirmou.
A primeira volta das eleições gerais brasileiras está marcada para 04 de outubro e envolve a escolha do Presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. Se houver segunda volta, será em 25 de outubro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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